“LIAU 15 ANOS, RETROSPECTIVA”
Marle da Rocha Mejía
Em meados dos anos 90, enquanto
exercia a função de supervisora na EMEF José Mariano Beck, recebi a
correspondência de nossa mantenedora, solicitando a presença de um professor
representante da escola, para reunião na sede da Secretaria Municipal de
Educação e posterior curso de formação
sobre o Atlas Ambiental de Porto Alegre.
Foi esta mesma necessidade, que me conduziu a estimular a professora
Cleonice de Carvalho Silva, professora de Geografia naquela época, que com seu trabalho
diferenciado para com as crianças, e adolescentes demonstrou a capacidade de
mudar paradigmas até então estabelecidos
e sensibilizar essa nova geração para um
novo olhar sobre a Educação Ambiental.
Por experiência pessoal, sei que,
durante o Ensino Fundamental, crianças e
adolescentes são mais receptivos a formação de conceitos, pois foi a
partir da formação recebida nesta etapa do ensino, participando de seminários,
palestras e oficinas, que minha preocupação com a questão ambiental foi
aguçada. Tais experiências sensibilizaram-me, como também me proporcionaram o
privilégio de conviver com pessoas visionárias, pois já naqueles anos em suas palestras previam o “efeito
estufa”, o qual vivenciei bem antes da previsão feita na época.

O que isto tem a ver com o LIAU? Por ironia do destino, a professora
Cleonice foi remanejada de nossa escola, passando a exercer suas funções na
EMEF Profª Judith Macedo de Araújo, onde iniciou seus trabalhos junto aos
alunos e não demorou muito para a questão Ambiental transpassar os muros da escola,
sensibilizando toda uma comunidade, com sucesso reconhecido em nossa rede de
ensino e em escolas aos arredores.
Assim como ela, um grupo de professores iniciou o trabalho
com o Atlas Ambiental de Porto Alegre, junto aos seus alunos, trabalhando as questões
ambientais em parceria com suas comunidades.
Foi estabelecida uma parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande
do Sul e a Secretaria Municipal de Educação, para trabalhar as questões
ambientais utilizando o Atlas Ambiental de Porto Alegre.
Assim surge o LIAU - Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano, em diversas escolas da rede municipal.
Assim surge o LIAU - Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano, em diversas escolas da rede municipal.
Como a vida é uma caixinha de surpresas, entro na história novamente.
Encerro minhas atividades em outra rede de ensino e venho trabalhar
integralmente na EMEF José Mariano Beck, onde passei a exercer minha função na
escola como coordenadora do Projeto Liau.
A proposta do projeto é a formação de alunos monitores, num trabalho de protagonismo
juvenil, no qual jovem educa jovem, buscando melhor qualidade de vida no ambiente
em que estão inseridos.
A cada encontro são novas
descobertas, novas experimentações, novas mentalidades, novos paradigmas. As
experiências acontecem também junto a um
corpo docente e não só com os alunos da escola. Agora a questão ambiental é
tratada por um coletivo, no dia a dia escolar.
No decorrer das atividades, os alunos demonstram desenvolvimento de autonomia,
estabelecimento de vínculos e motivação para o novo, como também interesse e vontade
de realizar as atividades. Destas experiências, surgem novas perspectivas sobre
a aprendizagem, porém, as dificuldades ainda são inúmeras, frente à difícil
realidade da comunidade escolar.
Percebo o jovem demonstrar melhor desenvoltura em seus trabalhos
escolares, pois passa a reconhecer-se como um agente de mudança, de si e dos
outros, desenvolvendo-se como ser social e cultural pela metodologia de
trabalho utilizada no laboratório.
As atividades são de pesquisa, experimentação, visitas guiadas a parques naturais, sítio ecológicos, apresentações de artes cênicas, dramatizações, saídas a campo para observação de determinado local - de acordo com o objeto de estudo – para análise e proposta de solução, frente as questões apresentadas, sempre com o olhar para a sustentabilidade. Exemplo são os temas de nossos estudos como: formação dos planetas, Planeta Terra, vulcanismo, solo, relevo, vegetação, hidrografia, clima, resíduos sólidos, reciclagem, fontes de energia, recursos naturais, etc... bem como ecologia social.
No LIAU utilizamos as tecnologias da informação, para divulgação de
trabalhos e estudos realizados, através de um blog: LIAU MARIANO BECK, inserido
no site da escola, na área de projetos. Este blog serve como ferramenta de
trabalho, para ser utilizada por
professores em sala de aula, bem como pelos
alunos, quando conectados, proporcionando melhor interação com o
conhecimento. Também faz-se uso das redes sociais e e-mails entre colegas.
O trabalho no LIAU, envolve a
construção e confecção de
materiais (jogos, maquetes, fantoches, etc...) com o propósito de qualificar e
sensibilizar os estudantes em suas atividades de Educação Ambiental.
Além das atividades na
escola, o LIAU realiza um trabalho de articulação junto com outras secretarias do município, como SMAM, DEP,
DEMHAB, DMAE, DEFESA CIVIL, VIGILÂNCIA DAS ÁGUAS, ETC... bem como junto a
representantes da comunidade escolar, segundo o
princípio de “pensar global e agir local”, porém com novo enfoque, “pensar local e agir global”. O agir global
neste caso, é o envolvimento de todo coletivo de pessoas da comunidade, em
parceria com as demais secretarias do município, a fim de que se percebam como
agentes de mudança, buscando um “viver” dentro da sustentabilidade, e
co-responsáveis por esses ambiente.
Louvável a iniciativa de nossa mantenedora ao criar os Laboratórios de Inteligência do
Ambiente Urbano - LIAU, pois inova, numa visão de vanguarda, ao despertar o
olhar para a sustentabilidade, de forma criativa e interativa. Isso faz com que nossas
escolas enxerçam sua função social,
transformando os indivíduos em agentes de mudança e promotores
de qualidade de vida, no seu
local de origem.

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