domingo, 22 de novembro de 2015

      “LIAU 15 ANOS, RETROSPECTIVA”
                                                                          Marle da Rocha Mejía
          Em meados dos anos 90, enquanto exercia a função de supervisora na EMEF José Mariano Beck, recebi a correspondência de nossa mantenedora, solicitando a presença de um professor representante da escola, para reunião na sede da Secretaria Municipal de Educação  e posterior curso de formação sobre o Atlas Ambiental de Porto Alegre.   
        Atlas editado sob a coordenação geral do Professor Rualdo Menegat , com solenidade de lançamento realizada na Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Neste evento, nossa escola compareceu representando as EMEF´s e EMEI´s do município de Porto Alegre, juntamente com outras duas escolas: uma representando as escolas da rede estadual e outra escola representando a rede privada de ensino. Naquele momento, senti muito orgulho por nossa escola ter sido convidada para tal evento, uma vez que estava sendo lançado o primeiro Atlas Ambiental de determinado território. O mesmo serviu de modelo, para outras cidades na América e continente Europeu, bem como recebeu posteriormente vários prêmios devido a qualidade de seu trabalho e a necessidade de abordar a questão ambiental.                                     
         Foi esta mesma necessidade, que me conduziu a estimular a professora Cleonice de Carvalho Silva, professora de Geografia naquela época, que com seu trabalho diferenciado para com as crianças, e adolescentes demonstrou a capacidade de mudar  paradigmas até então estabelecidos e sensibilizar  essa nova geração para um novo olhar sobre a Educação Ambiental.
         Por experiência pessoal, sei que, durante o Ensino Fundamental, crianças e  adolescentes são mais receptivos a formação de conceitos, pois foi a partir da formação recebida nesta etapa do ensino, participando de seminários, palestras e oficinas, que minha preocupação com a questão ambiental foi aguçada. Tais experiências sensibilizaram-me, como também me proporcionaram o privilégio de  conviver com pessoas  visionárias, pois já naqueles  anos em suas palestras previam o “efeito estufa”, o qual  vivenciei  bem antes da previsão feita na época.
   
                         




   
       
        O que isto tem a ver com o LIAU? Por ironia do destino, a professora Cleonice foi remanejada de nossa escola, passando a exercer suas funções na EMEF Profª Judith Macedo de Araújo, onde iniciou seus trabalhos junto aos alunos e não demorou muito para a questão Ambiental transpassar os muros da escola, sensibilizando toda uma comunidade, com sucesso reconhecido em nossa rede de ensino e em escolas aos arredores.
        Assim como ela, um grupo de professores iniciou o  trabalho  com o Atlas Ambiental de Porto Alegre, junto aos  seus alunos, trabalhando as questões ambientais em parceria com suas comunidades.
      Foi estabelecida uma parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Secretaria Municipal de Educação, para trabalhar as questões ambientais utilizando o Atlas Ambiental de Porto Alegre.
        Assim surge o LIAU - Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano, em diversas escolas da rede municipal.    
        Como a vida é uma caixinha de surpresas, entro na história novamente. Encerro minhas atividades em outra rede de ensino e venho trabalhar integralmente na EMEF José Mariano Beck, onde passei a exercer minha função na escola como coordenadora do Projeto Liau.                                
         A proposta do projeto é a formação de alunos  monitores, num trabalho de protagonismo juvenil, no qual jovem educa jovem, buscando melhor qualidade de vida no ambiente em que estão inseridos.
         A cada encontro são novas descobertas, novas experimentações, novas mentalidades, novos paradigmas. As experiências acontecem também  junto a um corpo docente e não só com os alunos da escola. Agora a questão ambiental é tratada por um coletivo, no dia a dia escolar.       

               
         No decorrer das atividades, os alunos demonstram desenvolvimento de autonomia, estabelecimento de vínculos e motivação para o novo, como também interesse e vontade de realizar as atividades. Destas experiências, surgem novas perspectivas sobre a aprendizagem, porém, as dificuldades ainda são inúmeras, frente à difícil realidade da comunidade escolar.
        Percebo o jovem demonstrar melhor desenvoltura em seus trabalhos escolares, pois passa a reconhecer-se como um agente de mudança, de si e dos outros, desenvolvendo-se como ser social e cultural pela metodologia de trabalho utilizada  no laboratório.      
       
As atividades são de pesquisa, experimentação, visitas guiadas a parques naturais, sítio ecológicos, apresentações de artes cênicas, dramatizações, saídas a campo para observação de determinado local - de acordo com o objeto de estudo – para análise e proposta de solução, frente as questões apresentadas, sempre com o olhar para a sustentabilidade. Exemplo são os temas de nossos estudos como: formação dos planetas, Planeta Terra, vulcanismo, solo, relevo, vegetação, hidrografia, clima, resíduos sólidos, reciclagem, fontes de energia, recursos naturais, etc... bem como ecologia social.
        No LIAU utilizamos as tecnologias da informação, para divulgação de trabalhos e estudos realizados, através de um blog: LIAU MARIANO BECK, inserido no site da escola, na área de projetos. Este blog serve como ferramenta de trabalho, para ser  utilizada por professores em sala de aula, bem como pelos  alunos, quando conectados, proporcionando melhor interação com o conhecimento. Também faz-se uso das redes sociais e e-mails entre colegas.
        O trabalho no LIAU, envolve a  construção e confecção  de materiais  (jogos, maquetes, fantoches,  etc...) com o propósito de qualificar e sensibilizar os estudantes em suas atividades de Educação Ambiental.     
                 
              Além das atividades na escola, o LIAU realiza um trabalho de articulação junto com outras  secretarias do município, como SMAM, DEP, DEMHAB, DMAE, DEFESA CIVIL, VIGILÂNCIA DAS ÁGUAS, ETC... bem como junto a representantes da comunidade escolar, segundo o  princípio de “pensar global e agir local”, porém com novo enfoque,  “pensar local e agir global”. O agir global neste caso, é o envolvimento de todo coletivo de pessoas da comunidade, em parceria com as demais secretarias do município, a fim de que se percebam como agentes de mudança, buscando um “viver” dentro da sustentabilidade, e co-responsáveis por esses ambiente.
       Louvável a iniciativa de nossa mantenedora  ao criar os Laboratórios de Inteligência do Ambiente Urbano - LIAU, pois inova, numa visão de vanguarda, ao despertar o olhar para a sustentabilidade, de forma  criativa e interativa. Isso faz com que nossas escolas enxerçam  sua função social, transformando os indivíduos em agentes de mudança e  promotores  de qualidade de vida, no seu  local de origem.








                                        

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